
Quisera eu contar aqui uma história cheia de harmonia e paz. Mas não há na vida harmonia duradoura.
A tragédia teve início na madrugada em que o menino Silvinho, convulsionado por uma dor de barriga, acordou no meio da noite. Dado que faltava papel higiênico em seu banheiro, saiu pela casa, rumo ao quarto dos pais, onde ficava a base da higiene familiar.
Entrou em total silêncio, e logo notou que a luz do banheiro estava acesa. Aproximando-se, ouviu estranhos ruídos. Decidiu olhar pela fresta o que acontecia. Foi seu erro: sua tão amada e admirada mãe encontrava-se no bidê, em posição totalmente ordinária, dando pulinhos e breves gemidos de prazer, enfiando em sua vagina um poderoso vibrador.
No susto, Silvinho cagou-se. Correu para seu quarto e encolheu-se na cama, todo coberto, rezando baixo para que aquilo fosse um pesadelo. Infelizmente, porém, era a dura verdade. E ele havia borrado as calças.
Dez anos depois, o garoto estava completando os estudos que o tornariam artista plástico. No meio das Artes, Silvinho sentia refletido seu rancor sexual. Lá era mais fácil, ao reprimido, martirizar-se, já que essa era uma atitude coletiva.
Foi quando seu pai faleceu.
Ele não pôde se conformar: o mundo era muito injusto. Por que o destino não levara sua mãe, aquela vaca que tornava impossível a convivência familiar?
O que mais o revoltava era a certeza, absoluta, de que se sua mãe quisesse, poderia não ser uma vadia. Se ele conseguia castrar seus desejos, por que ela não? O pai fora um coitado a vida toda, sacrificado por aquela víbora da siririca. Só a vingança limparia a memória do morto e ignorante pai.
No mesmo dia, comprou um vibrador longo e grosso, de potentes freqüências, e junto com ele, creme lubrificante. Misturou no creme um feroz veneno. No dia seguinte, presenteou a mãe com o kit mortal:
- Sei que a senhora vai se sentir sozinha.
A mãe, ultrajada, quis não aceitar, mas Silvinho, artista plástico, não sabia ouvir não sem dar “piti”. Foi irredutível. O “presente” então, lá ficou.
Seu luto já durava um mês, quando em noite solitária, a mãe abriu para ver e sentir o “presente” que o filho havia comprado. O lustroso vibrador era realmente grande e grosso, e a excitava profundamente. Decidida, embebeu o artefato no inusitado lubrificante e penetrou-se com sofreguidão. Jamais uma masturbação fora tão boa, tocou-lhe o útero! Mas durou pouco. O prazer que lhe ardia corroia por dentro, e com intensos gemidos, caiu dura no chão. Seca.
Foi no velório, porém, que Silvinho teve sua última, mas não menos trágica surpresa: ao aproximar-se do caixão, aberto, viu estampado no rosto da mãe, que jazia entre brancas flores, um imenso sorriso eternizado. Um sorriso de prazer supremo, cínico e dionisíaco, digno da maior das vacas.
Em um ato de loucura, começou a esbofetear a morta.
- Morra triste! Morra triste!...- gritava antes de ser contido por parentes. Mas a mãe continuava impassível.
Desesperado, Silvinho correu para casa, foi ao fúnebre banheiro e lá encontrou, ainda lambuzado, o vibrador assassino. Foi definitivo: enfiou-o no cu com um urro de prazer, até cair morto. Aliviado.
Um comentário:
"...Lá era mais fácil martirizar-se, já que essa era uma atitude coletiva."
hahaha...se não fosse a ECA
eu me sentiria um estranho
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