
Ariel era antes de tudo um justo. Tinha fé na razão e na capacidade da raça humana de superar suas fraquezas animalescas. O que o movia era mudar o mundo. Sentia fome de justiça, desejo de igualdade. Suas necessidades básicas como comida, descanso e sexo eram apenas obstáculos a serem superados. Estava condenado a servir a humanidade para torná-la melhor.
Para atingir seu macro objetivo de mudar o mundo, Ariel fazia questão de ser um exemplo de conduta. Aplicava a igualdade em seu cotidiano: só namorava mulheres feias. Não era justo que as feias não pudessem amar e ser amadas. Para ele, só valia a beleza interior. Sempre acreditou que o verdadeiro amor não se preocupa com as aparências externas e vai muito além das questões do corpo.
Na cama, com suas feias, tinha certeza: fazia Amor, jamais sexo. Gostava especialmente das conversas que vinham depois. Fazia questão de ouvir cada detalhe de sua performance para na próxima vez agradar ainda mais sua amada.
Mas, a harmonia de sua pacata coerência foi tragicamente abalada quando um cheiro forte de perfume penetrou involuntariamente suas narinas. Estava no metrô, acompanhado de uma namorada feia, quando sentiu um poderoso cheiro que arrepiou todos seus pelos. Vinha de uma sueca, assustadoramente linda, tentando decifrar um mapa em um idioma que nitidamente não era o seu.
Por princípio, Ariel odiava perfume. Achava banho uma hipocrisia. Se ela precisava daquilo para conquistar as pessoas é porque não tinha nada melhor para mostrar ao mundo. No entanto, a sueca nitidamente precisava de ajuda e, mesmo desgostoso, sua vocação de herói o fez aproximar-se.
O sorriso de gratidão que ela abriu transpassou os limites do vagão e iluminou todos os túneis subterrâneos da cidade. Seus dentes, seus lábios, seu hálito, tudo excitava profundamente Ariel, que fez questão de ajudar rapidamente e voltar para sua namorada.
O trajeto de metrô nunca foi tão longo. Abraçou forte sua amada, que se animou com o volume roçando-lhe a cintura, pensando que aquilo era pra ela. A sueca o estava fazendo enganar involuntariamente sua namorada. Era a primeira mentira de sua vida. “O que está acontecendo comigo?” torturava-se, febril.
Os três desceram na mesma estação. Não contente com o que já causara, a sueca pediu que eles a indicassem algum banheiro nas proximidades. Ariel e a namorada resolveram conduzi-la a uma lanchonete que conheciam nas redondezas.
Fora do metrô, o dia estava ensolarado, perigosamente quente. Na lanchonete, a namorada aproveitou para comprar uma paçoca, enquanto o gentil Ariel acompanhou a sueca até o banheiro. O estreito corredor por onde passaram no caminho colocou-os a uma proximidade cruel. A beleza de seu pescoço era assustadora, assim como todas as curvas e recheios de seu corpo.
Ela entrou no banheiro feminino e Ariel ficou do lado de fora. Jamais sentira um tesão tão explosivo e incontrolável. Teria sido capaz de se conter não tivesse ouvido um ruído de um harmônico que ressoou por todos seus ossos: o xixi sueco caindo na privada.
Animalesco, entrou no banheiro ofegante, já baixando as calças. Flagrou a sueca parada na posição de aviãozinho sobre uma das privadas. Sentiu o orgasmo vindo só pela apreciação daquela imagem, e apressou-se para cravar-lhe o pau antes que gozasse. A moça não esboçou qualquer reação. Aparentemente, viera ao Brasil preparada para aventuras daquele tipo, e até gostou.
Culpado pela ejaculação precoce, Ariel fez questão de chupá-la. Quando abriu suas pernas e viu seu corpo por dentro, foi iluminado por uma certeza que o transformou pelo resto de seus dias: aquela era a verdadeira beleza interior.
4 comentários:
É espantoso, a sabedoria de vida que venho adquirindo com o grandioso W.N., é sem dúvida uma honra inspirar uma obra prima como essa, como todas, como o Waldemar Neves!
Eu e o Waldemar estudamos juntos no reformatório, aprendemos muita coisa com a mulherada - as freiras do internato.
eu aprendi o internato das freiras, apesar do odor de guardadas...
cade o futebol?
Postar um comentário