
Lucas foi desde cedo um observador. Armado de sua luneta, começou fascinado pelas estrelas e constelações. Sabia de cor o nome de todas, inclusive das que não avistava do hemisfério sul.
Mas o comportamento dos seres humanos o interessava muito mais que as estrelas. De seu canto no fundo da sala de aula, estava sempre atento a tudo o que acontecia a sua volta. Era desses alunos que ninguém se lembra que existe, enquanto ele próprio lembrava-se de todos com quem já estudara.
Não bastava olhar e enxergar. Para ele, o fundamental era não ser visto para que não interferisse na ação observada e dessa forma a natureza humana lhe fosse desvendada em sua essência mais pura.
Conforme envelhecia, seu potencial observador crescia. Tinha um faro especial, sabia onde coisas interessantes aconteceriam. Testemunhou inúmeros crimes e até assassinatos, mas nunca intervinha, mesmo que pudesse salvar alguma vida. Foram possivelmente as estrelas que o ensinaram que uma vida, ou mesmo muitas, eram insignificantes em relação à imensidão do universo.
O mais impressionante era a capacidade que tinha de não ser visto. Por jamais interferir na realidade, sua presença era irrelevante às pessoas a sua volta. Cada vez permitia-se aproximar mais e mais da situação observada, a ponto de lunetas e binóculos tornarem-se desnecessários. A lente eram seus olhos, o zoom eram seus passos.
Tornou-se obcecado por detalhes. Não se satisfazia mais com o mundo exterior. Como um fantasma, passou a penetrar nos lares das pessoas, partindo do macro para o micro como um cientista em busca do átomo.
Nesses lares, seu maior interesse era observar casais fazendo sexo. Seus fins eram científicos, mas sua essência humana o obrigava a masturbar-se. Aqueles eram seus únicos momentos de prazer físico.
Um dia, conheceu um casal dado a malabarismos sexuais. Ficou fascinado, pois, além de ser virgem (obviamente), jamais tinha visto nada parecido: a penetração não se dava apenas por via vaginal. O tamanho do membro masculino era bem acima da média. Mais impressionante ainda era a capacidade do pequeno orifício anal da fêmea em recebê-lo.
Acabado o sexo, Lucas aproximou-se do orifício para registrar as conseqüências daquela enrabada monumental. Olhou no fundo do olho do cu. De repente, foi tomado pela mais estranha sensação. Seu corpo sofreu uma súbita mutação. Olhou-se no espelho e viu que se tornara um pinto gigante.
Não havia mais dúvidas: voyeur de cu, é rola.
5 comentários:
Hahaha genial! qro mais!
já conheço parte disso que você escreve! tenho um(a) amigo(a) que era vizinho(a) seu(sua) e sempre me mostrava sua obra empolgadíssimo(a)! por sinal, está com saudade de você! adivinha quem é!
uau, quanto(a) mistério(a)... quem será esse(a) anônimo(a)?
Repetições na escrita será que podemos chamar de estilo literário?
Conforme envelhecia, detalhes iam ganhando cada vez mais importância. A exigência tornou-se tanta que um dia não mais conseguiu parar de escrever...
(Voyeur)
Conforme envelhecia, seu potencial observador crescia. Tinha um faro especial, sabia onde coisas interessantes aconteceriam...
(O autobiográfico)
Ah, Sr. Lesa (ou Sra.?), não se preocupe com o estilo literário. O texto é o que ele é.
De qualquer maneira, fico feliz que tenha lido com cuidado suficiente pra flagrar as repetições.
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